2.3.18

Medo e dor

Tenho tanto medo da morte.
Sei porque tenho este impulso de gerar vida. Está motivado pelo medo que tenho do último suspiro. Não tenho a capacidade de controlar o fim, como e quando acontece mas está nas minhas mãos acrescentar vida e toneladas de amor à equação. Não acalma a inquietação mas mantém a mente e alma tão ocupadas que o medo recua. Ou fica distraído.

De repente surgiu-me a imagem do instante da notícia. Do momento em que mesmo antes de alguém dizer o que quer que seja tu já sabes, e o que te invade o corpo é um calor, um abismo, uma vertigem e um sopro gelado. Tudo ao mesmo tempo. E faz este ano 20 anos. O medo e a dor não desaparecem apenas vivem distraídos com tudo o que a vida consome. De tempos a tempos volto a ter este calor, abismo, vertigem e sopro gelado e lágrimas grossas acompanham um choro muito contido, segredado mas sufocante. Ja não é saudade. Porque as últimas imagens já estão muito distantes e cada vez mais desfocadas. Vive-se com a dor e o medo, pânico de que volte a acontecer. E embora saiba que se sobrevive, esta ferida ainda não está cicatrizada. Outra morte é um rasgo de faca na mesma alma desfeita. Como se supera este medo?.. como se vive com este aperto constante. Como se esquece a dor. 

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